
O presidente do Tribunal Regional Eleitoral do Piauí (TRE-PI), Desembargador Sebastião Martins, afirmou que a volta do voto impresso representaria um retrocesso no processo democrático brasileiro. A declaração foi após encontro que reuniu presidentes de todos os Tribunais Regionais Eleitorais para discutir o planejamento das eleições de 2026.
Segundo ele, a principal preocupação da Justiça Eleitoral no momento é a biometria. Em muitos estados o eleitorado ainda não está 100% cadastrado, mas no Piauí o índice já chega a 96%. A meta é concluir o processo até o fim de março de 2026, antes do encerramento do cadastro eleitoral em maio.
Questionado sobre a proposta que tramita no Congresso para imprimir o comprovante de votação, o presidente reforçou confiança nas urnas eletrônicas. Ele destacou que o sistema é testado e aprovado e que o voto impresso poderia fragilizar a credibilidade conquistada ao longo dos anos.
“Particularmente considero um retrocesso. A urna eletrônica é segura e traz transparência ao processo eleitoral. Se o Congresso aprovar, será cumprido, mas neste momento é apenas uma aprovação na Comissão de Constituição e Justiça”, afirmou.
O presidente também destacou um novo acordo de cooperação entre o TRE-PI e a Polícia Civil do estado. Pelo termo, delegados terão acesso ao Processo Judicial Eletrônico (PJE), o que deve agilizar a tramitação de inquéritos e dar mais autonomia às investigações. Ele lembrou que os crimes eleitorais no Piauí são poucos, mas que o acompanhamento será feito por juízes de garantias, responsáveis por autorizar medidas como quebras de sigilo e prisões cautelares.
Outro ponto abordado foi a preocupação com a atuação do crime organizado nas eleições. Segundo ele, já há registros de infiltração em candidaturas em outros estados, como o Ceará, e a Justiça Eleitoral está atenta para evitar que situações semelhantes ocorram no Piauí.
Para o presidente, a prioridade é garantir eleições transparentes e seguras, com a conclusão do cadastro biométrico e o uso das novas urnas eletrônicas adquiridas pelo Tribunal Superior Eleitoral.
Fonte: Cidade Verde