
O Hospital São Marcos recebeu, nesta quinta-feira (6), a segunda remessa de medicamentos e insumos enviada pela Secretaria de Estado da Saúde (Sesapi). A entrega faz parte do acordo firmado com o Ministério da Saúde para garantir a continuidade da assistência aos pacientes oncológicos atendidos na unidade. Ao todo, serão destinados R$ 1,5 milhão em medicamentos e insumos.
Segundo a Sesapi, a remessa atende a uma solicitação do Ministério da Saúde e incluiu todos os itens disponíveis no estoque da secretaria no momento da entrega. A primeira remessa foi entregue em 28 de julho.
A Sesapi informou que novas entregas já estão programadas para manter o abastecimento do hospital, conforme o cronograma estabelecido. A secretaria destacou ainda que a aquisição dos medicamentos e insumos segue os procedimentos administrativos previstos em lei, incluindo pesquisa de preços, formalização contratual, empenho e autorização de compra.
Recentemente, técnicos do Ministério da Saúde estiveram no Piauí para discutir o fortalecimento da Rede de Atenção Oncológica no estado. As tratativas tiveram como foco a assistência prestada pelo Hospital São Marcos, referência no tratamento do câncer pelo Sistema Único de Saúde (SUS), sob gestão da Fundação Municipal de Saúde (FMS).
Remanejamento de pacientes
Em 23 de julho, a Fundação Municipal de Saúde (FMS) iniciou o remanejamento dos 190 pacientes oncológicos que aguardavam a primeira consulta especializada após a suspensão temporária dos atendimentos no Hospital São Marcos. Os pacientes passaram a ser distribuídos entre unidades habilitadas para atendimento oncológico, conforme a região de origem.
Em Teresina, os atendimentos foram direcionados ao Hospital São Marcos, Hospital Universitário (HU) e Hospital Getúlio Vargas (HGV). Já os pacientes da região Norte do estado passaram a ser atendidos no Hospital Marques Basto, em Parnaíba. Segundo a Sesapi, uma força-tarefa realizada em parceria com a Secretaria Municipal de Saúde de Parnaíba também permitiu o reagendamento de parte desses pacientes no próprio município, reduzindo a necessidade de deslocamento para a capital.
Entenda o impasse financeiro
Em 3 de julho, o Hospital São Marcos suspendeu o atendimento de novos pacientes, alegando um déficit mensal superior a R$ 4 milhões nos repasses do Sistema Único de Saúde (SUS).
A parte do tratamento oncológico é financiado por meio de um contrato tripartite entre União, Estado e Município. Após sucessivas suspensões de atendimento provocadas por dificuldades financeiras, um acordo firmado no fim de 2025 definiu que o custeio seria dividido em 60% pelo município, 15% pelo Governo do Estado e 25% pelo Governo Federal.
A Fundação Municipal de Saúde defende uma redistribuição dessa participação, sob o argumento de que a maioria dos pacientes atendidos na unidade é do interior do estado. Já o Governo do Estado afirma que vem cumprindo o percentual de 15% previsto no acordo.
Fonte: Cidade Verde