
Daniela Marcos, tia da bebê que sofreu uma tentativa de sequestro dentro da Maternidade Dona Evangelina Rosa nesta segunda-feira (06), em Teresina, gravou depoimento detalhando toda a situação, alegando que a unidade de saúde teria tentado abafar o caso e, segundo ela, não deu assistência à família e nem auxiliou na elaboração de um boletim de ocorrência.
Em sua fala, Daniela, que foi quem presenciou todos os detalhes da situação, explicou que logo após flagrar a suspeita com a bebê na bolsa tentando deixar a maternidade, automaticamente pediu ajuda e iniciou uma movimentação na unidade, chamando atenção de pacientes e funcionários do local. A maior revolta da família é que a maternidade tem tratado o caso como “retirada irregular”, e não como um caso de tentativa de sequestro. “Pega a criança, troca de roupa e bota dentro da bolsa. Isso não é sequestro?”, questionou.
Ela alega que detalhou a situação, explicou o que teria acontecido e então colaboradores do local tentaram acalmá-la. Ela, no entanto, informou que a família está revoltada, pois não teve suporte e ela foi vetada, inclusive, de acionar a polícia. Segundo a tia da bebê, as mulheres suspeitas da tentativa de sequestro apenas foram ouvidas pela equipe multidisciplinar do hospital.
“Muita gente lá fora, muito médico, muito enfermeira, e não tive ajuda de ninguém de imediato. Quando eu puxo ela pra fora eu disse ‘gente, eu preciso de ajuda, ela tava com a neném dentro da bolsa, a neném da minha irmã'”, disse.
Logo após o tumulto, Daniela foi levada para conversar com profissionais da assistência social da maternidade, e explicou a situação. Segundo ela, os profissionais estavam reiterando diversas vezes que a culpa não era da maternidade, e disse também que uma das funcionárias, ao pegar o celular de Daniela para ver foto da suspeita, tentou apagar a imagem do aparelho celular.
“Ela [funcionária] foi lá e apertou para excluir a foto, e a foto não foi excluída, as provas, porque precisou da minha facial pra excluir, eu apertei e não exclui, não permitiu. Teve uma reunião com o diretor do hospital, teve advogado dele. Perguntou se eu queria também um, e eu disse que não, né, que ele já tinha falado com um rapaz que é advogado pra ele me auxiliar melhor nisso”, disse.
Ela disse ainda que foram retirada às pressas da maternidade, sendo levadas diretamente para a cidade onde moram, sem registrar boletim de ocorrência.
“Eu disse ‘olha, chama a polícia, eu quero que chame a polícia’, e o que fizeram por elas, foi chamar uma psicóloga, pra falar com elas. Foi só isso! Tiraram a gente de lá às pressas no carro. Assinaram lá os papéis pra vir deixar a gente em casa. Eu fico indignado demais, porque a maternidade estava todo o tempo querendo abafar”, relatou revoltada.
Entenda o caso
Um recém-nascido foi quase levado, de forma ilegal, da Nova Maternidade Dona Evangelina Rosa, em Teresina, nesta segunda-feira (06). As vítimas apontam que duas mulheres são suspeitas de envolvimento na ação, sendo que uma delas teria se passado por paciente enquanto a outra se apresentou como funcionária da unidade.
De acordo com relato de Daniela Marcos ao A10+, tia da bebê, a criança quase foi levada após a suspeita conquistar a confiança da família. A mãe da recém-nascida havia recebido alta hospitalar, mas a bebê permaneceria internada até o dia seguinte. Nesse momento, a mulher se aproximou afirmando que trabalhava no local e ia conseguir a liberação da bebê.
“A gente chegou no sábado, ela teve o neném por volta de 16h. Hoje foi que a mãe conseguiu alta, mas a bebê só sairia amanhã. Foi então que essa mulher se aproximou, muito simpática, dizendo que ia tentar resolver a situação para a gente. Em um momento, eu entreguei a neném por pouco tempo, e ela colocou a criança dentro da bolsa e foi para o banheiro. Se eu não tivesse ido atrás, tinham levado e ninguém teria visto”, relatou Daniela ao A10+.
Fonte: Portal A10+