
O promotor de Justiça Maurício Verdejo e seu ex-assessor André Bispo viraram réus, após o pleno do Tribunal de Justiça do Piauí decidir, por unanimidade, receber as denúncias contra os dois. O promotor é acusado de cobrar propina de R$ 3 milhões para arquivar um processo de um empresário do Piauí.
Verdejo e o ex-assessor foram investigados por corrupção, prevaricação, supressão de documento e tráfico de influência. Atualmente, ele está usando tornozeleira eletrônica. Ricardo Gentil é o relator do processo. O julgamento foi suspenso mês passado, devido a pedido de vista, e foi colocado em pauta ontem (01/09).
O Cidadeverde.com tentou localizar o advogado do promotor Maurício Verdejo, mas não foi encontrado. O portal deixa espaço aberto para defesa.
Como o promotor tem foro privilegiado, o Tribunal de Justiça precisava analisar se aceitaria ou não a denúncia.
O promotor foi afastado da 6ª Promotoria Criminal de Picos, após ser alvo de uma operação deflagrada pela Polícia Federal (PF) e pela Procuradoria-Geral de Justiça do Ministério Público do Piauí (PGJ/MPPI). As investigações apontaram que Verdejo e seu assessor planejaram e executaram um plano para exigir vantagem indevida do empresário para o arquivamento do processo.
O promotor Maurício Verdejo foi denunciado pelo empresário Junno Pinheiro, que procurou a Polícia Federal afirmando ter sido abordado por Verdejo em um restaurante. De acordo com a denúncia, o promotor teria cobrado R$ 2 milhões para arquivar um processo, dando um curto prazo para o pagamento.
A polícia acompanhou então a negociação e um vídeo flagrou o momento em que Verdejo pega uma sacola com R$ 900 mil, entregue pelo empresário que estava sendo extorquido por ele.

Em decisões anteriores, o TJ já tinha determinado o bloqueio de bens e valores, o afastamento do cargo público e o monitoramento eletrônico dos investigados, além de outras medidas cautelares.
Os encontros teriam ocorrido entre julho e agosto de 2024, nos municípios de Cajueiro da Praia e Teresina. Durante as tratativas, o promotor afirmou possuir influência no Tribunal de Justiça do Piauí e em tribunais superiores, e que poderia “enterrar” provas e documentos sigilosos.
As investigações indicam que, no dia 2 de agosto de 2024, o empresário esteve na residência do promotor para entregar parte do dinheiro. No dia 7 do mesmo mês, ele retornou ao local para entregar R$ 500 mil. A Polícia Federal flagrou o encontro no condomínio do promotor. Na sequência, a autoridade policial cumpriu mandado de busca e apreensão, encontrando R$ 896 mil na residência do promotor.
Segundo as investigações, o ex-assessor André Ricardo teria atuado em conjunto com o promotor, inclusive orientando a vítima na elaboração de minutas de petições a serem protocoladas com o objetivo de viabilizar o arquivamento do Procedimento Investigatório Criminal. O promotor também é acusado de ter bloqueado remotamente seu celular apreendido, impedindo a extração de dados pela perícia, o que fundamenta a acusação de supressão de documento.
Diante da gravidade dos fatos, o MPPI requereu a prisão preventiva de Maurício Verdejo e a perda de seu cargo público. Na denúncia, a instituição ressaltou que os crimes praticados comprometem a dignidade da função ministerial e afrontam os princípios da legalidade e da moralidade administrativa. O Ministério Público do Piauí segue acompanhando o andamento do processo.
Fonte: Cidade Verde