
O Piauí tem 38 focos de fogo ativos e 86 focos de calor sob monitoramento, segundo o boletim desta quinta-feira (10) da Sala de Monitoramento e Previsão de Eventos Climáticos Extremos (SAMPCE), da Secretaria do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (SEMARH).
Cinco desses incêndios preocupam mais que os demais: os que estão em Barreiras do Piauí, Piracuruca, Francisco Ayres, Lagoa Alegre e Currais já persistem há mais de sete dias. Pelo boletim, são as ocorrências de maior criticidade operacional, porque quanto mais tempo o fogo se mantém, maior a chance de a área atingida crescer.
Foco de calor e foco de fogo não são a mesma coisa
A distinção é importante para entender o boletim. O foco de calor é uma anomalia térmica detectada por satélite. Ele indica que existe uma fonte de calor naquele ponto, mas não confirma que há fogo. Já o foco de fogo é a ocorrência com chama ativa confirmada, aquela que precisa de acompanhamento e, se avançar, de combate.
“Nós temos os focos de calor, que é um aumento de temperatura de determinada superfície, que é um indício de fogo a depender do local. E os focos de fogo, que de fato são incêndios que precisam ser debelados, caso eles avancem para florestas, para comunidades”, explica Felipe Gomes, diretor de Licenciamento da SEMARH.
O monitoramento é feito com dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) e, segundo o diretor, o estado passou a contar neste ano com um painel próprio, que permite acompanhar as frentes de fogo e organizar o combate entre as brigadas municipais e o Corpo de Bombeiros.
Onde há registro
As detecções desta quinta-feira aparecem em 29 municípios:
- Aroazes
- Baixa Grande do Ribeiro
- Barras
- Barreiras do Piauí
- Bertolínia
- Bom Jesus
- Buriti dos Montes
- Colônia do Piauí
- Corrente
- Currais
- Floriano
- Francisco Ayres
- Gilbués
- Jerumenha
- Lagoa Alegre
- Manoel Emídio
- Monte Alegre do Piauí
- Nazaré do Piauí
- Oeiras
- Paulistana
- Piracuruca
- Ribeiro Gonçalves
- Santa Filomena
- Santo Inácio do Piauí
- São Gonçalo do Gurguéia
- São João da Serra
- Sebastião Leal
- Uruçuí
- Valença do Piauí
O sudoeste concentra a preocupação
Para a SEMARH, a região que exige mais atenção é a do cerrado piauiense, no sudoeste, no eixo de Uruçuí, Bom Jesus e Corrente. É onde está a maior atividade agrícola do estado.
“Não é proibido o uso do fogo, a gente sempre chama a atenção para isso, porém o uso descontrolado nessa época, com condições climáticas desfavoráveis, acaba ocasionando incêndios florestais e de proporções que a gente não quer”, afirma Felipe Gomes.
Queda no ano, mas o pior vem em outubro
Apesar do calor e do período seco, o número de focos registrados até agora no Piauí é menor que o do ano passado. Segundo o diretor da SEMARH, a redução é de cerca de 38%.
Ele atribui o resultado a dois fatores: o trabalho de educação ambiental nas comunidades onde os incêndios são mais frequentes e a atuação das brigadas municipais. A secretaria informa que conclui nesta semana o treinamento de brigadistas em todos os municípios piauienses.
A avaliação, porém, é de que não há espaço para relaxar. “O pior ainda é outubro. Geralmente, na série histórica, outubro é o período mais crítico”, diz Felipe Gomes.
Tempo seco favorece a propagação
A previsão da SEMARH para os próximos dias reforça o alerta. As máximas devem ficar em torno de 40°C em algumas áreas, e a umidade relativa do ar pode cair abaixo de 15% à tarde, em quase todo o território piauiense.
Segundo o boletim, a combinação de calor, ar seco e persistência das condições atmosféricas favorece a propagação do fogo em áreas de vegetação, principalmente nas regiões onde já existem focos que não se apagaram.
Fonte: Cidade Verde