
O município de Simões vive um verdadeiro caos quando o assunto é o abastecimento de água. Moradores relatam estar há mais de 30 dias sem água nas torneiras, situação que tem gerado revolta e indignação contra a empresa responsável pelo serviço, Águas do Piauí.
A crise chegou a níveis extremos, e a insatisfação da população culminou em um protesto realizado na última sexta-feira (3), no bairro Soledade II, onde dezenas de moradores foram às ruas para cobrar uma solução definitiva. Apesar da mobilização, a situação permanece inalterada.


Diante da falta de água nas residências, a empresa tenta amenizar o problema por meio de caminhões-pipa, mas a medida tem se mostrado ineficiente. Muitos moradores relatam dificuldades para receber o abastecimento, já que precisam estar em casa no momento em que o caminhão passa, o que é inviável para quem trabalha fora. Outros enfrentam o problema da falta de reservatórios adequados — e há ainda os que moram em apartamentos, onde o acesso dos caminhões é ainda mais complicado.
O transtorno é tanto que muitos simonenses afirmam sentir “saudades” da antiga Agespisa, que, mesmo com suas limitações, prestava um serviço considerado melhor do que o atual. O sonho de um abastecimento eficiente com a chegada da nova empresa acabou se transformando em frustração.
A situação foi tema de debate na Câmara Municipal de Simões, durante a sessão ordinária da última terça-feira (7). Os vereadores decidiram realizar uma Audiência Pública para discutir o problema, marcada para o dia 21 de outubro, às 14h30, no auditório da Câmara. A expectativa é de que representantes da empresa compareçam para prestar esclarecimentos e apresentar soluções.
Até o momento, a Águas do Piauí não divulgou nenhum comunicado oficial sobre o motivo da crise nem previsão para a normalização do abastecimento. Outro agravante é a ausência de um escritório da empresa no município, o que dificulta o contato direto dos consumidores.
Enquanto aguardam uma resposta, os moradores tentam se ajudar. Um grupo criado no WhatsApp, chamado “Cadê a água?”, reúne dezenas de pessoas que trocam informações sobre o paradeiro dos caminhões-pipa e compartilham as dificuldades enfrentadas diariamente.
Apesar de toda a precariedade, a empresa mantém fielmente o envio dos talões de cobrança, com um lembrete em destaque informando que o não pagamento da fatura ocasionará a suspensão dos serviços. Aí fica a pergunta que muitos moradores têm feito: suspender o que não existe?
por Alisson Carvalho