
A Polícia Federal vai reforçar o uso de inteligência e a integração com forças de segurança estaduais para combater a atuação do crime organizado e de facções criminosas nas eleições deste ano. O enfrentamento à violência contra candidatos e à possível infiltração de grupos criminosos no processo eleitoral será um dos eixos do planejamento operacional da corporação para o pleito.
A estratégia prevê o levantamento e o cruzamento de informações para identificar, antecipadamente, pessoas ligadas a organizações criminosas que tentem interferir na disputa eleitoral.
O trabalho será feito em conjunto com as autoridades de segurança dos estados, com participação das polícias militares (em ações ostensivas) e das polícias civis (que devem auxiliar nas investigações).
“A Polícia Federal já tem o planejamento operacional para atuar nas eleições desse ano. Esse alinhamento já foi feito, foi realizado com todas as regionais, com todas as superintendências, assim também como com os delegados regionais de Polícia Judiciária”, disse o diretor de Investigação e Combate ao Crime Organizado e à Corrupção da PF, Dennis Cali, durante café com jornalistas.
A PF também informou que não pretende interromper operações durante o período eleitoral. Segundo a direção da corporação, não haverá uma espécie de “moratória eleitoral” para investigações ou ações contra grupos criminosos.
A orientação é manter a repressão ativa diante de crimes em andamento, para evitar que eleitores, candidatos ou campanhas sofram pressões e interferências. Além disso, a PF quer garantir que o eleitor vote “com absoluta liberdade, sem que qualquer instituição pública ou privada interfira nessa intenção”.
Investigação mais ampla
O foco das investigações, segundo a Polícia Federal, não ficará restrito à violência praticada por integrantes armados de facções. A corporação pretende priorizar a identificação de estruturas financeiras, redes de apoio e tentativas de inserção desses grupos no meio político e eleitoral.
“Nós precisamos tirar do imaginário o sujeito de balaclava e fuzil. Nós temos que entender também o crime organizado como ações, como se tem falado muitas vezes, do ‘andar de cima’”, destacou o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues.
A atuação, segundo a corporação, será baseada na legislação sobre organizações criminosas e direcionada a qualquer grupo envolvido em ameaças, financiamento ilícito, coação de eleitores ou interferência no resultado do pleito.
O planejamento está alinhado entre as superintendências regionais e os delegados da Polícia Federal, com coordenação também junto ao Tribunal Superior Eleitoral, aos tribunais regionais eleitorais e ao Ministério Público.
“É uma preocupação muito grande da Polícia Federal com relação a isso. Trocas de informações, principalmente de inteligência, na identificação de eventuais pessoas ligadas a facções criminosas, estão sendo realizadas”, destacou Dennis Cali.
Além do combate ao crime organizado, o plano prevê ações contra desinformação, corrupção eleitoral, caixa dois e outras formas de uso de recursos ilícitos nas campanhas.
Fonte: R7