
Para além do tempo de propaganda eleitoral na televisão e no rádio, as equipes de comunicação dos candidatos à Presidência com melhores colocações nas pesquisas preparam outra lógica de engajamento nas redes para capturar o eleitor “independente”.
Enquanto o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) aposta nas histórias pessoais que contribuem para a identificação do eleitor, o senador Flávio Bolsonaro (PL) herda um ecossistema digital mobilizado em torno do próprio sobrenome.
“Lula continua a vender experiência e trajetória, que apelam para o eleitor de esquerda, e a relação com as políticas públicas, como se fosse um ‘pai’ para a população. Isso acaba por atingir o imagético do eleitor e, também, vira uma identificação emocional do candidato”, afirma o consultor de marketing político Deividi Lira.
O petista conta com 14,8 milhões de seguidores no Instagram, 1,68 milhão de inscritos no YouTube e um ativo exclusivo, como pontua Deividi Lira: a máquina estatal. Os feitos da atual gestão favorecem a competitividade dele nas redes, mas, mal dosados, podem soar como comunicação de governo, em vez de comunicação de um candidato.
“Ele é o atual presidente, então isso proporciona uma grande quantidade de posts, agendas, anúncios de programas. Mas a equipe tem um desafio muito maior ao ter que tomar cuidado para não trazer uma linguagem muito institucional; sabemos que os perfis do governo estão neste momento silenciados por conta do período de defesa eleitoral”, argumenta Lira.
Ao mesmo tempo, Flávio Bolsonaro lida com uma cultura digital desenvolvida pelo bolsonarismo desde 2018. Dessa forma, os perfis do candidato funcionam como uma “ferramenta multiplicadora de conteúdo”, segundo Deividi Lira. “[Essa rede] não serve apenas para informar, mas para manter a direita mobilizada.”
O filho mais velho de Jair Bolsonaro acumula 11 milhões de seguidores no Instagram e 957 mil inscritos no YouTube. Como principal ponto de força nesse caso, há o capital político herdado do pai; e, como maior fraqueza, o mesmo elemento.
“O desafio que a equipe de Flávio tem é o de desenvolver uma identidade presidencial própria do candidato. Ele vende uma imagem política, mas agora precisa vender a de um candidato à Presidência da República”, comenta Deividi.
Fonte: R7