
A Polícia Rodoviária Federal (PRF) reforçou, entre os dias 3 e 9 de agosto, as ações de combate à violência contra a mulher no Piauí durante a Operação Alerta Lilás III. A iniciativa reuniu fiscalização, consultas a mandados de prisão, cumprimento de ordens judiciais e ações de conscientização nas rodovias federais.
No estado, seis pessoas foram presas durante a operação, segundo o inspetor da PRF Cláudio Piazarolo. Entre as prisões, quatro estavam relacionadas a débitos de pensão alimentícia, uma a estupro de vulnerável e outra a porte de drogas.
A operação também resultou no resgate de três pessoas em situação de vulnerabilidade. Em uma das ocorrências, agentes localizaram, em Picos, um homem que estava na lista de desaparecidos. A PRF conseguiu entrar em contato com os familiares, que moram na Paraíba.
“A gente entrou em contato com a família, a família lá da Paraíba, inclusive, já veio buscá-lo e, graças a Deus, está em casa”, relatou o inspetor.
Operação marca 20 anos da Lei Maria da Penha
A Operação Alerta Lilás III ocorreu em um período marcado pelos 20 anos da Lei Maria da Penha, criada para ampliar os mecanismos de prevenção e enfrentamento à violência doméstica e familiar contra a mulher.
Segundo Cláudio Piazarolo, a PRF direcionou as áreas de inteligência e de fiscalização para identificar situações de risco, consultar mandados e reforçar a atuação relacionada aos direitos humanos.
“A gente tem essa temática como uma temática muito importante, a dos direitos humanos como um todo e, especificamente, nesse mês, a gente deu uma atenção maior por ser o mês dos 20 anos da Lei Maria da Penha”, afirmou.
Para o inspetor, apesar dos avanços proporcionados pela legislação, a violência contra a mulher continua sendo um problema que exige atuação permanente dos órgãos de segurança.
“A gente está fazendo 20 anos dessa norma e, vamos dizer assim, é um crime que insiste em permanecer.”
A operação teve abrangência nacional e, segundo a PRF, 69 pessoas foram detidas no país por crimes relacionados à violência contra a mulher.
PRF também pode atuar em casos de violência doméstica
A atuação da PRF nesse tipo de ocorrência ainda é desconhecida por parte da população, segundo o inspetor. Embora o principal trabalho da corporação esteja relacionado às rodovias federais, os agentes também podem intervir em situações de violência contra a mulher identificadas durante fiscalizações ou comunicadas às equipes.
Cláudio Piazarolo citou como exemplo uma ocorrência registrada no Piauí em que um homem mantinha a própria companheira dentro de um veículo e a PRF precisou intervir.
A corporação, segundo ele, mantém a atuação integrada com outros órgãos da segurança pública e da rede de proteção.
“A gente tem nos nossos quadros inclusive essa coisa já bem conscientizada de que a gente tem que atuar nesse setor, tem que atuar contra esse crime”, destacou.
O inspetor também apontou uma dificuldade enfrentada pela corporação: o efetivo reduzido, que limita a possibilidade de atendimento simultâneo em todas as regiões.
“O que pega para nós é o nosso pouco efetivo. Nem sempre a gente consegue atuar em todas as áreas ao mesmo tempo.”
Denúncia é fundamental para interromper violência
Outro ponto destacado foi a subnotificação dos casos de violência. Segundo Cláudio, a dificuldade de denunciar não é exclusiva dos crimes contra a mulher, mas a ausência de comunicação às autoridades pode dificultar a identificação de situações de risco.
Ele reforçou que qualquer pessoa pode denunciar ou buscar orientação, mesmo quando não é a vítima.
O principal canal para denúncias e orientações relacionadas à violência contra a mulher é o Ligue 180. Em situações que ocorram em rodovias federais, a PRF pode ser acionada pelo 191. O 190, da Polícia Militar, também está disponível para ocorrências que necessitem de atendimento policial.
“A gente tem esse que é o canal de atendimento para a urgência de qualquer crime contra a mulher. É paralelo a isso, a gente tem o 191 da PRF. A gente tem o 190 da PM”, explicou.
Cláudio destacou ainda que a rede de proteção envolve diferentes instituições e que a participação da população é essencial para que os órgãos consigam agir.
“Precisa realmente dessa questão dessa mobilização, dessa denúncia. Ela faz muita diferença para que a gente consiga otimizar o nosso esforço.”
A Operação Alerta Lilás III foi encerrada no dia 9 de agosto, mas, segundo a PRF, o trabalho de fiscalização e enfrentamento à violência contra a mulher ocorre durante todo o ano.
Fonte: Cidade Verde