
O El Niño deve ganhar força nos próximos meses e atingir intensidade muito forte no fim de 2026, segundo previsão da Organização Meteorológica Mundial (OMM). No Brasil, o cenário indica temperaturas acima da média e chuvas abaixo do normal em áreas do Norte e Nordeste, incluindo o Piauí, com possíveis impactos sobre recursos hídricos e agricultura.
A previsão aumenta a atenção para os efeitos do fenômeno no estado, onde o armazenamento equivalente dos reservatórios do Nordeste estava em 36,57% em 27 de agosto, conforme dados da Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA). O quadro pode se agravar caso a estiagem se prolongue.
O El Niño ocorre quando há aquecimento anormal das águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial, alterando padrões da circulação atmosférica. Dependendo da região, o fenômeno pode favorecer períodos de seca, chuvas intensas e ondas de calor.
Piauí pode ter chuva abaixo da média
O Boletim nº 3 do Painel El Niño 2026-2027, elaborado por instituições brasileiras de monitoramento climático, aponta maior probabilidade de chuvas abaixo da média no centro-norte do país durante o trimestre de setembro a novembro.
No Nordeste, a tendência é de um período mais seco. Para o Piauí, a combinação de pouca chuva e temperaturas elevadas pode intensificar o déficit hídrico e afetar atividades agrícolas, principalmente aquelas dependentes das chuvas.
Segundo o boletim, o cenário também pode dificultar a implantação da safra 2026/2027 no Maranhão e no Piauí. Ao mesmo tempo, o tempo seco tende a favorecer a colheita e a secagem de algumas culturas, incluindo o algodão.
As temperaturas devem ficar acima da média em praticamente todo o território brasileiro. Ainda assim, massas de ar frio podem provocar quedas bruscas de temperatura, principalmente durante setembro.
El Niño deve continuar até 2027
De acordo com a OMM, a probabilidade de o El Niño persistir até fevereiro de 2027 está próxima de 100%. A organização prevê que o fenômeno passe por uma intensificação antes de atingir seu pico de força no final deste ano.
O aquecimento já é considerado expressivo no Pacífico Equatorial. O índice Niño 3.4 registrou anomalia média de 1,5 °C entre maio e julho de 2026 e chegou a 2 °C acima da média em julho. Entre o fim de julho e meados de agosto, as medições semanais ficaram entre 2,2 °C e 2,6 °C acima do normal.
Apesar da previsão de um El Niño muito forte, a OMM ressalta que a intensidade do fenômeno não determina sozinha os impactos em cada local. Os efeitos dependem da região, da época do ano e da interação com outros fatores climáticos.
No Piauí, a perspectiva de chuva abaixo da média combinada ao calor pode aumentar o déficit hídrico e dificultar a implantação da próxima safra, enquanto o acompanhamento dos níveis dos reservatórios ganha importância diante da possibilidade de prolongamento do período seco.
Fonte: Portal O Dia